17.8.12
Dilma Supra Grammaticos
Mantendo sempre vivo o tema da Língua Portuguesa, proponho-me alertar a comunidade internética para uma peça de inestimável valor saída directamente da cabeça de S. Exa Dilma Rousseff, que, por certo, ficará conhecida nos Anais como a Lei n.º 12605, de 3 de Abril de 2012, vulgo «lei do emprego obrigatório da flexão de género para nomear profissão ou grau em diplomas», obra que, por estranho acaso, havia passado praticamente despercebida da nossa muito frenética Comunicação Social, sempre atenta a tudo o que lhe cheire a furo noticioso, desde que num dado e preciso sentido, por regra, o mesmo...
Ainda não tínhamos visto nada disto : a forçada corrupção gramatical por via legislativa. Nem César, senhor absoluto de um vasto Império, havia chegado tão longe, conta-se, numa sua esboçada ousadia gramatical, tendo sido imediata e oportunamente advertido, por alguém mais letrado que ele de que : «Cesar non supra Grammaticos» advertência que consta ter sido por César, a gosto ou a contragosto, escrupulosamente observada.
Só a leviandade, a presunção e a completa inconsciência do ridículo, por junto e atacado, terão impulsionado a referida senhora na desmiolada iniciativa, sem que, aparentemente, nenhum assessor ou conselheiro lhe houvesse feito a caridade de um esclarecimento escorreito em tempo apropriado.
Já não bastava o famigerado AO da LP de 1990, para nos apoquentar, o qual, afinal, só pretendeu incidir na ortografia.
Agora, D. Dilma Rousseff vai bem mais longe e quer introduzir emendas, na verdade, autênticos aleijões, na Gramática de uma Língua que deveria merecer-lhe o maior respeito, tanto mais que se trata de património que lhe foi legado por quem lançou os alicerces do País em que hoje vive e de cuja república é Presidente.
Agora, D. Dilma Rousseff vai bem mais longe e quer introduzir emendas, na verdade, autênticos aleijões, na Gramática de uma Língua que deveria merecer-lhe o maior respeito, tanto mais que se trata de património que lhe foi legado por quem lançou os alicerces do País em que hoje vive e de cuja república é Presidente.
Pergunta-se : como é possível que em Portugal isto não haja sido convenientemente noticiado, em tempo oportuno, sendo a Lei do início de Abril deste ano ?
Complexos esquerdistas ?
AV_Lisboa, 16 de Agosto de 2012
Comments:
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Caro António Viriato
Por razões familiares, tenho passado nos últimos anos frequentes temporadas no Brasil.
No que concerne aos registos português e brasileiro da nossa língua, pode dizer-se, sem exageros, que se trata de um casal que há muito não dorme na mesma cama mas mora na mesma casa para salvar as aparências.
Não conheço os disparates da "presidenta" brasileira mas, dificilmente serão maiores dos constantes no famigerado AO.
Os atropelos à gramática "brasileira", digamos assim, são enormes. De tal forma que tenho sempre muitas dificuldades em me fazer entender por pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade. E o inverso é verdadeiro.
Há dias, a nora da minha mulher, estando sentada a meu lado no carro, pediu-me para "dar uma rezinha". E foi com alguma dificuldade que percebi que estava a pedir-me para fazer marcha atrás.
Pelo S. João, festa muito concorrida, em cartazes espalhados por tudo o que é sítio, escreve-se "arraiá" em vez de arraial.
Ao invés, nos livros de boa literatura, entendo tudo muito bem. Mas o que marca o passo é a língua falada e não tenhamos grandes dúvidas de que o divórcio é inevitável. Algo que não é novo na História. Não foi assim que surgiram as línguas novilatinas?...
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Por razões familiares, tenho passado nos últimos anos frequentes temporadas no Brasil.
No que concerne aos registos português e brasileiro da nossa língua, pode dizer-se, sem exageros, que se trata de um casal que há muito não dorme na mesma cama mas mora na mesma casa para salvar as aparências.
Não conheço os disparates da "presidenta" brasileira mas, dificilmente serão maiores dos constantes no famigerado AO.
Os atropelos à gramática "brasileira", digamos assim, são enormes. De tal forma que tenho sempre muitas dificuldades em me fazer entender por pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade. E o inverso é verdadeiro.
Há dias, a nora da minha mulher, estando sentada a meu lado no carro, pediu-me para "dar uma rezinha". E foi com alguma dificuldade que percebi que estava a pedir-me para fazer marcha atrás.
Pelo S. João, festa muito concorrida, em cartazes espalhados por tudo o que é sítio, escreve-se "arraiá" em vez de arraial.
Ao invés, nos livros de boa literatura, entendo tudo muito bem. Mas o que marca o passo é a língua falada e não tenhamos grandes dúvidas de que o divórcio é inevitável. Algo que não é novo na História. Não foi assim que surgiram as línguas novilatinas?...
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